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Farmacêuticos podem atuar no combate ao suicídio

O suicídio pode afetar pessoas de diferentes idades, contextos socioeconômicos e gêneros, mas pode ser prevenido. No Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, 10 de setembro, a farmacêutica e membro do Grupo Técnico (GT) de Trabalho em Serviços Clínicos do CRF-GO Ane Rosalina Trento Costa faz um alerta: a atuação do farmacêutico pode ser fundamental para salvar vidas.

A farmacêutica, que tem ampla experiência prática com pacientes com transtornos mentais, explica: "Indivíduos com pensamentos suicidas, muitas vezes, apresentam algum tipo de transtorno mental, diagnosticado ou não". Desta forma, o profissional farmacêutico, que está de ponta a ponta no tratamento, pode auxiliar tanto no cuidado, orientação e atenção farmacêutica, quanto na dispensação de medicamentos. 

Ane acrescenta que a intervenção farmacêutica em casos de pacientes suicidas permeia no acompanhamento dos sintomas. “Casos de paciente com ideação suicida ou tentativas prévias de suicídio devem ser vistos como casos de problemas de saúde, pois existem fatores biológicos e genéticos, que podem levar a transtornos mentais, como depressão, transtorno bipolar e esquizofrenia, e consequentemente levar ao suicídio”, salienta a profissional. 

Segundo Ane, homens cometem mais suicídio, se comparado às mulheres. No entanto, mulheres somam mais tentativas, mas muitos casos podem ser evitados apenas com o diálogo. “Embora o contato com o paciente seja importante, trabalhamos também com as famílias, a fim de entender o convívio social. Também tentamos fazer, com o diálogo, que o paciente reflita e traga à consciência os fatores protetores, que são a família e os relacionamentos interpessoais. Tudo isso com o objetivo de resgatar no paciente a sensação de bem-estar e um sentido de vida”, relata Ane.

O tratamento com este tipo de paciente vai muito além do medicamentoso – alopático e fitoterápico. Para Ane, o farmacêutico, ao lidar com casos assim, deve identificar sintomas, fatores de risco e indicar outros profissionais de saúde para acompanhamento. O farmacêutico também pode fazer intervenções não farmacológicas, como recomendação da prática de atividades físicas, manuais, terapias alternativas e psicoterapia. 

“É difícil trabalhar diretamente com o paciente que tem a intenção ou tem tentado o suicídio, pois em casos graves o contato é raro ou a resposta ao tratamento medicamentoso ainda não foi alcançada. Por isso, falamos também com a família e a recomendação dada é nunca deixar o paciente sozinho e estar atento aos sinais de que ele pode estar querendo tirar a própria vida”, finaliza.

Dados
Segundo o Ministério da Saúde (MS), no Brasil, de 2007 a 2016, 106.374 pessoas morreram em decorrência do suicídio. Só em 2016, a taxa foi de 5,8 por 100 mil habitantes. Cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos e o fenômeno é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos. 

Ingestão de pesticidas, enforcamento e armas de fogo estão entre os métodos mais comuns de suicídio em nível global. A intoxicação é responsável por 18% das mortes, enquanto o enforcamento apresenta um índice de 60%. 

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), distúrbios suicidas e mentais, como depressão e abuso de álcool, são as principais causas do fenômeno, que também pode ocorrer de forma impulsiva ou em decorrência do enfrentamento de conflitos pessoais. Crises, estresse, problemas financeiros, términos de relacionamento, dores crônicas e doenças, desastres, violência, abusos, perdas e senso de isolamento contribuem para a elevação das taxas. Grupos vulneráveis que sofrem discriminação, como refugiados e migrantes; indígenas; lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e intersexuais (LGBTI); e pessoas privadas de liberdade também estão mais propensas. 

CVV
O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio, criada, no Brasil, em 2015, pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), em parceria com órgãos de saúde.  A proposta é estampar o amarelo, garantindo mais visibilidade à causa e em defesa da vida. 

No Brasil, o CVV oferece um serviço de apoio emocional e de prevenção do suicídio, por meio do número 188. A ligação é gratuita, opera 24 horas e também está disponível por e-mail e chat. Clique aqui e saiba mais sobre o serviço
 

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