Luciana Calil explicou mudanças que permitem a utilização de plataformas comerciais por farmácias e drogarias e alertou para cuidados com procedência, orientação farmacêutica, transporte e conservação dos produtos
A presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de Goiás (CRF-GO), Luciana Calil, concedeu entrevista à TV Brasil Central (TBC) para esclarecer as mudanças relacionadas à comercialização e entrega de medicamentos por meio de aplicativos e plataformas digitais. Durante a entrevista, a farmacêutica destacou os cuidados que devem ser observados pela população para garantir segurança e eficácia no tratamento.
Luciana explicou que, com a publicação da Lei nº 15.357, farmácias e drogarias já existentes, devidamente regularizadas e licenciadas pelos órgãos sanitários competentes, passaram a poder contratar plataformas comerciais para intermediar a comercialização de seus produtos, incluindo medicamentos.
Antes da mudança, a norma sanitária estabelecia que farmácias que realizassem vendas pela internet deveriam possuir estabelecimento físico, estoque e atendimento ao público, além de manter uma plataforma ou página própria para a comercialização online. Agora, esses estabelecimentos também podem utilizar plataformas comerciais já existentes.
Apesar da ampliação das possibilidades de compra, a presidente do CRF-GO ressaltou que os consumidores precisam redobrar a atenção com a procedência dos produtos.
“Não adquiram medicamentos de qualquer lugar. Veja se o medicamento vem realmente de uma farmácia que existe, uma farmácia licenciada e regularizada, para evitar a aquisição de produtos falsificados”, alertou Luciana.
Medicamento não é uma simples mercadoria
Durante a entrevista, Luciana Calil reforçou que a facilidade proporcionada pelos aplicativos não deve reduzir os cuidados relacionados ao uso correto dos medicamentos.
“Eu ressalto que o medicamento não é uma simples mercadoria. Para que ele tenha o resultado esperado, a eficácia esperada, ele precisa ser administrado na hora certa, na quantidade certa, evitando algumas interações com outros medicamentos e com alimentos”, explicou.
Por isso, a presidente orientou que os pacientes procurem informações com o profissional responsável pela prescrição ou com o farmacêutico. A orientação profissional é fundamental para esclarecer dúvidas sobre horários, doses, possíveis interações e demais cuidados necessários durante o tratamento.
Transporte e conservação exigem atenção
Outro ponto destacado foi a necessidade de garantir condições adequadas durante o transporte dos medicamentos adquiridos por aplicativos. Segundo Luciana, embora a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não tenha regulamentado a nova lei, já existem normas sanitárias destinadas a garantir a segurança e a conservação desses produtos.
Medicamentos precisam ser transportados em condições que preservem suas características e sua integridade até a entrega ao consumidor. Isso inclui proteção contra fatores como luz solar, calor, chuva e umidade.
“A gente precisa garantir que esses medicamentos cheguem de forma íntegra até a população, para garantir a eficácia do tratamento”, destacou a presidente.
O CRF-GO reforça que a modernização das formas de comercialização deve estar acompanhada da manutenção das boas práticas farmacêuticas. Mesmo nas compras realizadas por aplicativos, a população deve verificar a origem do medicamento, priorizar estabelecimentos regularizados e contar com a orientação do farmacêutico para promover o uso seguro e responsável dos medicamentos.

