Os usuários brasileiros do Apple Watch passaram a contar com um novo recurso de saúde: o alerta de sinais persistentes de pressão arterial elevada, aprovado recentemente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A funcionalidade tem como objetivo auxiliar na identificação precoce da hipertensão, especialmente em pessoas que ainda não possuem diagnóstico.
O recurso não realiza a medição direta da pressão arterial pelo pulso. O relógio utiliza seu sensor óptico para analisar como o fluxo sanguíneo influencia determinados sinais cardiovasculares. Esses dados são processados por um algoritmo ao longo de um período de 30 dias. Caso seja identificado um padrão consistente compatível com pressão alta, o usuário recebe uma notificação no Apple Watch e no iPhone, orientando a busca por avaliação médica.
Tecnologia voltada à triagem, não ao diagnóstico
Segundo a fabricante, a ferramenta foi testada em estudos clínicos com cerca de 2 mil participantes, dentro de um programa mais amplo que envolveu mais de 100 mil pessoas. Os resultados mostraram que aproximadamente metade dos indivíduos identificados com sinais de hipertensão não possuíam diagnóstico prévio, evidenciando o potencial da tecnologia como instrumento de triagem.
Ao receber o alerta, a orientação é que o usuário meça a pressão arterial com um aparelho convencional por sete dias consecutivos e leve esse histórico ao profissional de saúde na próxima consulta.
É fundamental destacar que a funcionalidade não substitui o diagnóstico médico, tampouco o acompanhamento clínico de pacientes já diagnosticados com hipertensão. O recurso atua como um sinalizador inicial, estimulando o cuidado e a procura por avaliação profissional.
Uso consciente da tecnologia em saúde
A hipertensão arterial é uma condição frequentemente silenciosa e está associada a um maior risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Ferramentas tecnológicas que incentivam o monitoramento e a busca por atendimento especializado podem contribuir para o diagnóstico precoce e o controle da doença.
No entanto, especialistas reforçam que esses recursos devem ser utilizados como complemento, e não como substituição, aos métodos tradicionais de avaliação e acompanhamento da saúde.

