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Álcool e medicamentos para controlo de peso podem comprometer a segurança do tratamento

Segue a matéria reescrita com tom mais institucional, técnico e informativo, mantendo o conteúdo essencial e organizando melhor a linguagem:


Com a ampliação do uso de medicamentos injetáveis para o controlo de peso, como a semaglutida e a tirzepatida, a discussão sobre a segurança dessas terapêuticas torna-se cada vez mais relevante. Entre os principais riscos associados ao tratamento está a utilização concomitante de álcool e outras substâncias, combinação que pode resultar em diversos prejuízos à saúde.

Entre as possíveis consequências dessa associação destacam-se sintomas como náuseas, vómitos e desidratação, além de complicações metabólicas e renais. De acordo com Carolina Janovsky, endocrinologista, professora da pós-graduação em Endocrinologia Clínica da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o consumo de álcool, mesmo em contexto social, não é recomendado durante o uso desses medicamentos, devido à imprevisibilidade da sua ação no organismo.

Segundo a especialista, o retardo do esvaziamento gástrico provocado pelas medicações pode atrasar o pico alcoólico, fazendo com que o álcool seja absorvido de forma súbita. “Esse mecanismo aumenta o risco de quedas, acidentes e erros na perceção da dose ingerida”, explica.

A médica alerta ainda para outros riscos associados, como efeitos gastrointestinais intensos, possibilidade de lesão renal aguda decorrente da desidratação e hipoglicemia tardia, especialmente em pessoas que utilizam insulina ou sulfonilureias, consomem álcool em jejum ou praticam atividade física. Além disso, interromper pontualmente o uso do medicamento para permitir o consumo de álcool não é considerado seguro, uma vez que essas substâncias permanecem ativas no organismo por várias semanas.

“A semaglutida apresenta uma meia-vida aproximada de uma semana, podendo permanecer no organismo entre cinco e sete semanas após a última aplicação. Já a tirzepatida tem meia-vida estimada entre cinco e seis dias. Assim, a suspensão de uma dose não elimina o efeito farmacológico e pode comprometer a organização do tratamento”, orienta.

Interação no organismo

Esses medicamentos atuam retardando o esvaziamento do estômago, o que faz com que alimentos e bebidas alcoólicas demorem mais tempo a ser absorvidos. Na prática, a pessoa pode não perceber de imediato os efeitos do álcool, consumir quantidades maiores e, posteriormente, apresentar um pico abrupto de alcoolemia, quando a absorção ocorre no intestino.

Além disso, a redução do apetite induzida pelas medicações favorece o consumo de álcool em jejum ou com ingestão alimentar insuficiente, o que potencializa náuseas, vómitos e episódios de hipoglicemia horas após a ingestão.

Principais sintomas associados

A associação entre álcool e medicamentos injetáveis para controlo de peso pode provocar:

  • Sintomas gastrointestinais intensos, como náuseas, vómitos, refluxo, sensação de estômago cheio e risco aumentado de desidratação;

  • Lesão renal aguda, especialmente em contextos de vómitos e diarreia;

  • Hipoglicemia tardia, sobretudo em pessoas que utilizam insulina ou sulfonilureias, consomem álcool em jejum ou praticam exercício físico, podendo manifestar-se por suor frio, tremores, palpitações, confusão mental, visão turva, sonolência e, em casos graves, convulsões.

Embora menos frequentes, também podem ocorrer complicações relevantes, como pancreatite aguda e doenças da vesícula biliar.

Não existe dose segura de álcool

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que não existe um nível seguro de consumo de álcool para a saúde. Mesmo quando não é o fator desencadeante direto de uma complicação, o álcool pode interferir na forma como o organismo responde ao tratamento medicamentoso.

Embora os medicamentos agonistas de GLP-1/GIP não sejam, em geral, diretamente hepatotóxicos, o álcool possui efeito tóxico sobre o fígado e, associado aos efeitos gastrointestinais das terapêuticas, pode favorecer o desenvolvimento de complicações como pancreatite, doença da vesícula e lesão renal. O risco torna-se ainda maior quando há uso concomitante de outras substâncias psicoativas.

Orientações em caso de intoxicação

Em situações de suspeita de intoxicação ou efeitos adversos importantes, recomenda-se:

  • Suspender imediatamente o consumo de álcool e evitar conduzir veículos;

  • Manter hidratação adequada, com ingestão de água ou soluções de reidratação oral;

  • Procurar atendimento de urgência em caso de vómitos persistentes;

  • Em pessoas com diabetes, monitorizar a glicemia e adotar medidas de correção em caso de valores baixos;

  • Acionar o serviço de emergência em casos de confusão mental, desmaio, dor abdominal intensa e persistente, convulsões, dificuldade respiratória, redução acentuada do volume urinário ou sinais de icterícia.

Diante dos riscos identificados, a recomendação durante o tratamento medicamentoso para controlo de peso é evitar o consumo de álcool, mesmo em pequenas quantidades, de forma a garantir maior segurança e eficácia terapêutica.

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