Com a chegada do Carnaval, milhões de brasileiros se preparam para dias de festa, música e confraternização. Nesse período, é comum que algumas pessoas considerem interromper temporariamente o uso de medicamentos contínuos para “aproveitar melhor” a folia ou consumir bebidas alcoólicas. No entanto, essa prática não é segura e pode trazer riscos importantes à saúde.
Medicamentos de uso contínuo são prescritos para manter doenças sob controle e garantir o equilíbrio do organismo. Quando o tratamento é interrompido sem orientação profissional, a condição que estava controlada pode retornar ou até se agravar, provocando sintomas mais intensos e aumentando o risco de complicações.
Interrupção do tratamento e riscos à saúde
Não existe um “prazo seguro” para pausar medicamentos por conta própria. Mesmo uma interrupção de poucos dias pode ser suficiente para desestabilizar quadros como hipertensão, diabetes, asma, epilepsia, depressão e doenças cardiovasculares.
Em algumas situações, a suspensão abrupta pode provocar crises agudas. Por exemplo, pessoas com epilepsia que deixam de tomar a medicação podem voltar a apresentar convulsões, o que eleva significativamente o risco de acidentes, especialmente em ambientes com aglomeração, piscinas ou no trânsito.
O que é o efeito rebote?
Parar repentinamente um medicamento pode desencadear o chamado efeito rebote, fenômeno em que os sintomas originais retornam de forma mais intensa ou frequente do que antes do tratamento. Isso ocorre porque o organismo se adapta à presença contínua do medicamento, e sua retirada súbita rompe esse equilíbrio.
Além disso, alguns fármacos podem causar sintomas de abstinência, que variam conforme o tipo de substância e a resposta individual do paciente.
Atenção especial aos medicamentos psiquiátricos
A interrupção abrupta de antidepressivos, ansiolíticos e hipnóticos (remédios para dormir) pode provocar sintomas como tontura, náusea, dor de cabeça, irritabilidade, alterações do sono e aumento da ansiedade. Em certos casos, também podem surgir sensações corporais desconfortáveis, confusão mental e retorno dos sintomas emocionais que estavam controlados.
Por isso, qualquer ajuste nesses tratamentos deve ser feito exclusivamente com acompanhamento médico.
Medicamentos para controle do peso
Os medicamentos utilizados no tratamento da obesidade, como os análogos do GLP-1, em geral não causam sintomas imediatos de abstinência quando interrompidos. No entanto, a suspensão do uso implica a perda dos benefícios alcançados com o tratamento, favorecendo o retorno do apetite e o possível ganho de peso.
Isso reforça a importância de manter a continuidade terapêutica conforme a prescrição.
Álcool e medicamentos: uma combinação de risco
O ideal para quem faz uso de medicamentos é evitar o consumo de bebidas alcoólicas. A associação entre álcool e remédios pode provocar reações adversas graves, como:
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Sonolência excessiva e prejuízo da coordenação motora
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Alterações na pressão arterial
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Danos ao fígado
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Sangramentos gástricos
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Redução ou potencialização indevida do efeito dos medicamentos
Alguns grupos merecem atenção especial:
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Medicamentos que atuam no sistema nervoso central: maior risco de sedação intensa e perda de reflexos
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Analgésicos e anti-inflamatórios: aumento do risco de gastrite, úlceras e lesões hepáticas
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Antibióticos: possibilidade de reações adversas importantes
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Remédios cardiovasculares: risco de queda acentuada da pressão e desmaios
Carnaval com responsabilidade
O Carnaval pode — e deve — ser aproveitado com alegria e responsabilidade. Manter o uso correto dos medicamentos, evitar a automedicação e buscar orientação de um profissional de saúde em caso de dúvidas são atitudes fundamentais para preservar o bem-estar durante a festa.
O farmacêutico é um aliado importante nesse processo. Em caso de incerteza sobre o uso de medicamentos ou sua interação com bebidas alcoólicas, procure orientação em uma farmácia ou com seu médico.
Cuidar da saúde também faz parte da folia.

