Um novo medicamento voltado ao tratamento do Alzheimer deve chegar ao mercado brasileiro em junho. O lecanemabe, comercializado como Leqembi, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em dezembro e é indicado para pacientes em estágios iniciais da doença.
A medicação atua sobre a proteína beta-amiloide, associada à formação de placas no cérebro de pessoas com Alzheimer. O objetivo do tratamento é reduzir o acúmulo dessas proteínas tóxicas e, consequentemente, desacelerar a progressão da doença. No entanto, especialistas reforçam que o medicamento não reverte perdas cognitivas já existentes.
A indicação é voltada para pacientes com comprometimento cognitivo leve ou demência leve relacionada ao Alzheimer — casos em que os sintomas ainda são iniciais e a autonomia do paciente permanece relativamente preservada.
Um estudo clínico internacional com 1.795 participantes da América do Norte, Europa e Ásia apontou uma redução de 27% no declínio clínico ao longo de 18 meses entre os pacientes tratados.
Segundo a fabricante, o medicamento atua em duas frentes: eliminando formas tóxicas já presentes da proteína beta-amiloide e reduzindo a formação de novas placas cerebrais.
Tratamento exige acompanhamento especializado
A administração do lecanemabe é feita por infusão intravenosa a cada duas semanas, em ambiente especializado. Cada aplicação dura cerca de uma hora, com dose calculada de acordo com o peso do paciente.
Antes do início do tratamento, é necessária a confirmação da presença da patologia amiloide por exames específicos, como PET scan ou análise do líquor.
Além disso, os pacientes precisam passar por uma avaliação médica detalhada para identificar possíveis contraindicações, como histórico de hemorragias ou edemas cerebrais.
Também pode ser recomendado o teste genético para a variante APOE e4, já que pacientes com esse perfil podem apresentar maior risco de efeitos adversos.
Alto custo pode limitar acesso
O valor estimado do tratamento é de R$ 8.108,94 por mês, sem impostos. Com a incidência de ICMS, o custo pode ultrapassar R$ 11 mil mensais, o que pode dificultar o acesso de muitos pacientes no país.
Outro desafio para a ampliação do tratamento no Brasil é a necessidade de centros especializados para infusão e equipes treinadas para acompanhamento dos pacientes.
Possíveis efeitos adversos
Entre os principais efeitos adversos observados estão edema cerebral, micro-hemorragias e dor de cabeça. O risco pode ser maior em pacientes com predisposição genética ou que fazem uso de anticoagulantes, o que reforça a importância do acompanhamento médico rigoroso.
A chegada do medicamento representa um avanço no tratamento do Alzheimer, especialmente por atuar nas fases iniciais da doença. Ainda assim, especialistas destacam que o acesso à terapia e o monitoramento clínico serão fatores determinantes para sua utilização no Brasil.

