Medicamentos utilizados no tratamento da obesidade, como tirzepatida e semaglutida, têm revolucionado o controle do peso e o tratamento de doenças cardiometabólicas. No entanto, um novo estudo acende um alerta importante: além da gordura corporal, esses medicamentos também podem estar associados à perda de massa magra, incluindo músculos.
A pesquisa, conduzida por pesquisadores da University of Cambridge e divulgada em formato pré-print, ou seja, ainda sem revisão por pares, analisou dados de mais de 670 mil pessoas que iniciaram tratamento com medicamentos agonistas de GLP-1.
Desse total, cerca de 8 mil pacientes passaram por avaliações detalhadas de composição corporal antes e após o início do tratamento, permitindo aos pesquisadores avaliar não apenas o peso perdido, mas também a qualidade dessa perda.
Os dados mostraram que a tirzepatida apresentou maior perda de peso total em comparação à semaglutida, mas também esteve associada a uma maior redução de massa magra ao longo do tempo.
Especialistas destacam, no entanto, que a maior parte do peso eliminado continua sendo gordura corporal. Ainda assim, a perda muscular exige atenção.
Impactos da perda de massa muscular
A redução da massa magra pode trazer impactos importantes na rotina dos pacientes, como:
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mais cansaço;
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diminuição da força física;
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redução da disposição;
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piora da capacidade funcional.
Segundo o estudo, pacientes que perderam mais massa muscular também apresentaram menor tolerância ao esforço físico e mais relatos de fadiga.
Outro ponto observado pelos pesquisadores é que quanto maior o tempo de uso e a dosagem dos medicamentos, maior tende a ser a perda de massa magra.
Acompanhamento profissional é essencial
Farmacêuticos reforçam que os medicamentos continuam sendo importantes ferramentas no tratamento da obesidade e de doenças como diabetes tipo 2, insuficiência cardíaca, doença renal crônica e apneia do sono.
No entanto, o acompanhamento multiprofissional é fundamental para garantir uma perda de peso saudável.
Entre as principais recomendações estão:
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prática de exercícios de força;
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ingestão adequada de proteínas;
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monitoramento da composição corporal;
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acompanhamento médico e farmacêutico durante o tratamento.
O debate reforça uma nova perspectiva no tratamento da obesidade: mais do que perder peso, o objetivo é promover um emagrecimento saudável e sustentável.

