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OMS reforça prioridade no desenvolvimento de novos antibióticos contra bactérias resistentes

A resistência bacteriana voltou ao centro das discussões globais em saúde pública. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou recentemente a necessidade urgente de desenvolver novos antibióticos capazes de combater bactérias resistentes, conhecidas popularmente como “superbactérias”.

O alerta acontece porque os medicamentos disponíveis atualmente já não acompanham a velocidade com que essas bactérias evoluem. Com isso, infecções graves, como pneumonia, meningite e infecções na corrente sanguínea, podem se tornar cada vez mais difíceis de tratar.

Por que a resistência bacteriana preocupa

O uso inadequado e excessivo de antibióticos favorece o surgimento de bactérias resistentes. Quando isso acontece, medicamentos que antes eram eficazes deixam de funcionar, aumentando o risco de complicações, internações prolongadas e mortes.

Segundo a OMS, embora existam antibacterianos em desenvolvimento, poucos são direcionados aos patógenos prioritários considerados mais perigosos. Além disso, uma parcela ainda menor apresenta características realmente inovadoras.

Entre as infecções que mais preocupam estão:

  • Pneumonias hospitalares causadas por bactérias Gram-negativas multirresistentes;

  • Infecções no sangue em pacientes críticos ou imunossuprimidos;

  • Meningites bacterianas resistentes aos tratamentos convencionais;

  • Infecções associadas à ventilação mecânica e internações prolongadas;

  • Quadros infecciosos em recém-nascidos, idosos e pessoas com baixa imunidade.

Desenvolvimento de novos antibióticos ainda enfrenta desafios

Criar novos antibióticos é um processo complexo, caro e demorado. Diferente de outros medicamentos de uso contínuo, os antibióticos precisam ser utilizados com cautela justamente para evitar o avanço da resistência bacteriana, o que reduz o retorno financeiro para a indústria farmacêutica e dificulta investimentos no setor.

Apesar disso, especialistas alertam que o desenvolvimento de novas opções terapêuticas é fundamental para preservar procedimentos médicos que dependem do controle eficaz de infecções, como cirurgias, transplantes, quimioterapia e internações em UTI.

Estudo reforça impacto global da resistência antimicrobiana

Um estudo de análise sistemática publicado na revista científica The Lancet, intitulado Global burden of bacterial antimicrobial resistance in 2019, apontou que a resistência bacteriana aos antimicrobianos esteve associada a milhões de mortes no mundo em 2019.

Os dados reforçam que o problema deixou de ser apenas uma preocupação hospitalar e passou a representar um desafio global de saúde pública.

Uso racional continua sendo essencial

Especialistas destacam que desenvolver novos antibióticos não é suficiente. Também é necessário preservar a eficácia dos medicamentos já existentes.

Entre as principais medidas recomendadas estão:

  • Utilizar antibióticos apenas com prescrição e orientação profissional;

  • Evitar automedicação e reutilização de tratamentos antigos;

  • Investir em exames que identifiquem corretamente a bactéria causadora da infecção;

  • Fortalecer medidas de prevenção, vacinação, higiene e controle de infecções;

  • Garantir acesso aos tratamentos em regiões e hospitais com maior necessidade.

Para a população, a principal orientação é evitar o uso indiscriminado desses medicamentos. Gripes, resfriados e grande parte das dores de garganta, por exemplo, são causados por vírus e não melhoram com antibióticos.

O uso racional de medicamentos e o desenvolvimento de novas terapias caminham juntos no enfrentamento da resistência bacteriana, ajudando a evitar que infecções tratáveis voltem a representar alto risco à saúde.

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