O Conselho Regional de Farmácia do Estado de Goiás marcou presença no Congresso Goiano de Direito da Cannabis Terapêutica, realizado nos dias 27 e 28 de maio de 2026, na Escola Superior da Advocacia, em Goiânia. O evento reuniu profissionais do Direito, da Saúde, pesquisadores, parlamentares, representantes de associações de pacientes e instituições públicas para discutir os avanços, desafios jurídicos, clínicos e regulatórios relacionados à cannabis medicinal no Brasil.
No dia 27 de maio, participaram do congresso a presidente do CRF-GO, Luciana Calil, o assessor jurídico da instituição, Flávio Rolim, a assessora de comunicação, Joice Prado, e Simon Teixeira Costa, coordenador do Grupo de Trabalho de Cannabis do CRF-GO. Simon também atua como diretor técnico da Agape Medicinal, Associação Goiana de Apoio e Pesquisa à Cannabis Medicinal.
A presença do Conselho reforçou o compromisso da autarquia com a promoção de debates baseados em evidências científicas, responsabilidade profissional e cuidado com a população. Para a presidente do CRF-GO, Luciana Calil, a participação institucional no congresso fortalece o papel da Farmácia em uma pauta que exige conhecimento, ética e integração entre diferentes áreas.
“Quando falamos em cannabis terapêutica, falamos também sobre ciência, segurança, orientação qualificada e acesso responsável ao tratamento. O CRF-GO entende que o farmacêutico tem papel fundamental nesse processo, seja na educação em saúde, na assistência ao paciente ou na construção de um debate técnico, livre de preconceitos e baseado em evidências”, destacou Luciana Calil.
O congresso teve início com discussões voltadas à defesa da ciência, aos desafios jurídicos para o acesso ao tratamento e aos relatos de famílias que encontraram na cannabis medicinal uma possibilidade de melhora na qualidade de vida. A programação abordou temas como judicialização da saúde, concessão de habeas corpus para cultivo medicinal, litigância estratégica, riscos jurídicos criminais, farmacologia, tratamentos para autismo e fibromialgia, além das aplicações da terapia canabinoide na odontologia e na medicina veterinária.
Para Simon Teixeira Costa, coordenador do GT de Cannabis do CRF-GO, o encontro representa um avanço importante para aproximar conhecimento técnico, pacientes, instituições e profissionais da saúde.
“A cannabis medicinal precisa ser discutida com seriedade, acolhimento e responsabilidade. Como farmacêuticos, temos o dever de contribuir para que a informação correta chegue aos pacientes e às famílias, sempre com segurança, acompanhamento profissional e compromisso com a saúde pública”, afirmou Simon.
No dia 28 de maio, também estiveram presentes no evento Karen Beatriz Ferreira, membro do GT de Cannabis do CRF-GO, Simon Teixeira Costa, Flávio Rolim e o assessor técnico do Conselho, Aparecido Júnior. Na mesma data, o vice-presidente do CRF-GO, Daniel Jesus, ministrou a palestra “Aspectos Farmacológicos da Cannabis”, na qual abordou temas centrais como o sistema endocanabinoide, os fitocanabinoides e a farmacologia clínica.
Farmacêutico pela Universidade Federal de Goiás, mestre em Gestão e Tecnologia Farmacêutica e diretor industrial da Indústria Química do Estado de Goiás, Daniel apresentou observações farmacêuticas e terapêuticas sobre o tema, ressaltando a importância da atuação técnica do farmacêutico no uso seguro da cannabis medicinal.
Durante sua fala, Daniel destacou a complexidade da terapia canabinoide e chamou atenção para a necessidade de acompanhamento profissional qualificado.
“ O farmacêutico tem um papel central na terapia canabinoide, porque não basta apenas prescrever ou utilizar o produto. É necessário entender interações medicamentosas, farmacocinética, qualidade do produto e individualização terapêutica para garantir segurança ao paciente. Para isso, estudar muito esse novo momento. O sistema endocanabinoide talvez seja um dos sistemas fisiológicos mais fascinantes do corpo humano. Ele participa da regulação do sono, apetite, humor, memória, imunidade e metabolismo, mostrando por que os canabinoides têm um potencial terapêutico tão amplo”, explicou Daniel Jesus.
O vice-presidente também abordou o chamado efeito comitiva, ou efeito entourage, conceito relacionado à interação entre fitocanabinoides, terpenos e flavonoides, que pode contribuir para a resposta terapêutica e para a redução de efeitos adversos.
“Minha mensagem final é sempre a mesma: A cannabis medicinal deixou de ser um tema alternativo e passou a ser um tema científico. Hoje já entendemos receptores, vias de sinalização e mecanismos farmacológicos envolvidos no controle da dor, epilepsia, ansiedade, inflamação e até doenças neurodegenerativas. No entanto terapia canabinoide exige uma avaliação criteriosa Acredito que o farmacêutico é peça fundamental para garantir que essa fronteira da medicina seja explorada com ética, segurança e, acima de tudo, baseada em evidências científicas sólidas”, completou.
Ao apoiar o Congresso Goiano de Direito da Cannabis Terapêutica, o CRF-GO reafirma seu compromisso com a ciência, a saúde pública, a valorização da profissão farmacêutica e a construção de caminhos que ampliem o acesso seguro da população a tratamentos baseados em conhecimento técnico e responsabilidade social.

