O uso contínuo de medicamentos faz parte da rotina da maioria dos idosos brasileiros. Dados da Pesquisa Nacional de Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos (PNAUM), publicados na Revista de Saúde Pública, mostram que 93% dos idosos utilizam ao menos um medicamento de forma contínua e 18% fazem uso de cinco ou mais medicamentos, situação conhecida como polifarmácia.
Entre idosos com quatro ou mais doenças crônicas, essa proporção chega a 60%, o que reforça a necessidade de atenção com a organização da rotina medicamentosa dentro de casa.
O cuidado vai além de lembrar o horário correto do medicamento. Alimentação, hidratação, armazenamento adequado, interação entre substâncias e acompanhamento profissional também fazem parte do uso racional de medicamentos.
Um estudo publicado em 2024 na Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia (RBGG), com 496 idosos atendidos em uma policlínica gerontológica, associou a polifarmácia e o uso de medicamentos potencialmente inapropriados ao aumento da vulnerabilidade nessa faixa etária.
Segundo o Ministério da Saúde, o uso racional de medicamentos acontece quando o paciente recebe o tratamento adequado às suas necessidades clínicas, nas doses corretas e pelo tempo necessário. Quando isso não acontece, aumentam os riscos de efeitos adversos, intoxicações e complicações de saúde.
Na rotina domiciliar, esses cuidados podem se tornar ainda mais complexos. Muitos idosos convivem com dificuldades de visão, lapsos de memória, limitações motoras e alterações no sono, fatores que aumentam as chances de doses esquecidas, repetidas ou administradas de forma incorreta.
O Protocolo de Prevenção de Quedas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), elaborado em parceria com o Ministério da Saúde e a Fiocruz, aponta que quedas causam danos em 30% a 50% dos casos, podendo resultar em fraturas, sangramentos e outras lesões graves.
O documento também identifica a polifarmácia como fator de risco independente para quedas, especialmente quando há uso de medicamentos como benzodiazepínicos, diuréticos, antidepressivos, antipsicóticos, hipoglicemiantes orais e insulina.
Outro desafio comum é o acompanhamento da rotina à distância. Muitas famílias tentam monitorar os horários dos medicamentos por telefone, mensagens e alarmes no celular. Embora esses recursos ajudem, eles nem sempre garantem que o medicamento foi tomado corretamente.
Sinais como tontura, sonolência excessiva, confusão mental, fraqueza, quedas, alterações de pressão arterial e mudanças repentinas de comportamento podem indicar problemas relacionados ao uso inadequado de medicamentos e exigem avaliação profissional.
Especialistas reforçam que o cuidador domiciliar não substitui médicos, farmacêuticos ou enfermeiros, mas pode auxiliar na organização da rotina conforme as orientações da equipe de saúde, ajudando no acompanhamento dos horários, alimentação, hidratação e observação de alterações no estado do idoso.
A segurança da pessoa idosa em casa depende da combinação entre acompanhamento profissional, presença familiar e organização da rotina diária, especialmente em casos de doenças crônicas, histórico de quedas e uso de múltiplos medicamentos.

