Vídeos, áudios e imagens manipulados por inteligência artificial podem usar a aparência e a voz de pessoas conhecidas para divulgar produtos e enganar consumidores
Você recebeu um vídeo de uma pessoa famosa recomendando determinado medicamento ou suplemento alimentar? Antes de confiar na indicação ou comprar o produto, é importante verificar a informação.
Com o avanço da inteligência artificial (IA), conteúdos conhecidos como deepfakes podem manipular imagens, vídeos e vozes de forma convincente. Essa tecnologia pode ser utilizada para fazer parecer que determinada pessoa disse ou recomendou algo que, na realidade, nunca aconteceu.
Esse tipo de conteúdo pode ser explorado em golpes e fraudes para aumentar a credibilidade de anúncios e estimular a venda de produtos, inclusive itens clandestinos, produzidos sem a devida autorização, ou falsificados.
E se a pessoa realmente recomendou o produto?
Mesmo quando a recomendação é verdadeira, isso não significa que o medicamento ou suplemento seja adequado para todas as pessoas.
Cada indivíduo possui condições de saúde e necessidades específicas. Doenças preexistentes, medicamentos utilizados e possíveis interações são alguns dos fatores que precisam ser considerados antes do início de um tratamento.
Por isso, é preciso ter cautela com indicações feitas por influenciadores ou outras personalidades nas redes sociais. Em alguns casos, esses conteúdos fazem parte de ações publicitárias. E, mesmo quando a recomendação é feita de boa-fé, quem produz o conteúdo não conhece as particularidades da saúde de cada pessoa.
Antes de iniciar qualquer tratamento ou utilizar um produto com finalidade relacionada à saúde, procure orientação de um profissional habilitado e qualificado.
E quando a recomendação parece vir de um profissional de saúde?
O cuidado também é necessário. A inteligência artificial pode ser utilizada para criar falsos profissionais ou manipular a imagem de pessoas reais para divulgar medicamentos, suplementos e outros produtos associados a promessas de resultados ou até de curas “milagrosas”.
Uma das formas de se proteger é verificar as credenciais do profissional nos canais oficiais do conselho da respectiva categoria.
No caso de conteúdos atribuídos a médicos, por exemplo, é possível consultar o nome e o número de registro do profissional na ferramenta de busca disponibilizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM):
Consultar registro de médicos no CFM
A Resolução CFM nº 2.336/2023 estabelece regras para a publicidade médica e prevê a identificação do profissional com nome, número de registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) e a palavra “MÉDICO”. Quando especialista, também deve ser informado o Registro de Qualificação de Especialista (RQE).
Desconfie de promessas e ofertas nas redes sociais
Alguns sinais devem acender o alerta do consumidor:
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Medicamentos vendidos em redes sociais, marketplaces ou sites que não pertencem a farmácias: no Brasil, a comercialização de medicamentos deve ocorrer por estabelecimentos regularizados, inclusive no ambiente on-line.
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Suplementos que prometem tratar, prevenir ou curar doenças: suplementos alimentares são destinados à suplementação da alimentação de pessoas saudáveis e não podem ser divulgados com alegações de prevenção, tratamento ou cura de doenças.
Em caso de dúvidas sobre suplementos alimentares, consulte as informações disponibilizadas pela Anvisa:
Acesse as orientações da Anvisa sobre suplementos alimentares
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Produtos anunciados como “100% naturais” e “sem riscos”: o fato de um produto ter origem natural não significa que seu uso seja livre de riscos. Medicamentos fitoterápicos, por exemplo, também podem causar danos quando utilizados de forma inadequada e precisam estar regularizados junto à Anvisa.
Saiba mais sobre medicamentos fitoterápicos
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Produtos apresentados como “químicos experimentais” ou destinados a “fins de pesquisa”: essas expressões podem ser utilizadas como tentativa de enganar consumidores. Produtos comercializados dessa forma não podem ser vendidos para uso humano.
Antes de comprar, verifique se o produto está regularizado
Além de buscar orientação profissional, é importante verificar a procedência e a regularidade dos produtos antes da compra.
Com os dados do medicamento em mãos, é possível consultar sua regularidade diretamente no sistema da Anvisa:
Consultar medicamentos na Anvisa
No caso dos suplementos alimentares, a Anvisa também disponibiliza informações para que o consumidor verifique se determinado produto está autorizado:
Saiba como verificar se um suplemento alimentar é autorizado
O uso de substâncias que não passaram pela avaliação da Anvisa pode representar riscos graves à saúde. Sem essa avaliação, não há garantias sobre a segurança para uso humano ou, no caso dos medicamentos, sobre sua eficácia.
Antes de acreditar em uma indicação vista nas redes sociais, verifique a fonte, confira a regularidade do produto e busque orientação de um profissional de saúde. Quando o assunto é saúde, uma recomendação que parece confiável na internet pode não ser verdadeira nem adequada para você.

