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Atuação de farmacêutica foi decisiva para identificar suspeita de falsificação de medicamentos oncológicos

Profissional percebeu inconsistências nas embalagens de medicamentos destinados a pacientes com câncer e contribuiu para o início da investigação que resultou na Operação Placebo

A atuação de uma farmacêutica da Santa Casa de São Gabriel, no Rio Grande do Sul, foi fundamental para levantar a suspeita de falsificação de medicamentos destinados ao tratamento de pacientes com câncer.

A profissional identificou inconsistências nas embalagens de um medicamento utilizado por pacientes com câncer de mama, incluindo diferenças nas características do produto e até erros de grafia. A partir da suspeita levantada pela farmacêutica, o caso passou a ser investigado e culminou na Operação Placebo, deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul.

A operação investiga uma organização criminosa suspeita de fraudar o fornecimento de medicamentos de alto custo custeados com recursos públicos. Segundo as investigações, empresas ligadas entre si teriam sido utilizadas para simular concorrência em orçamentos apresentados ao Poder Judiciário, direcionando contratações e elevando artificialmente os valores pagos.

A apuração também identificou indícios de empresas de fachada e da circulação de medicamentos com suspeita de adulteração e falsificação. Durante a operação, foram cumpridos 57 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Sul e em outros estados.

Até o momento, a Polícia Civil identificou 39 pacientes potencialmente atingidos pelo esquema. Segundo informações divulgadas sobre o caso, sete pacientes morreram durante o tratamento. As circunstâncias e uma eventual relação entre os óbitos e os medicamentos investigados ainda serão apuradas pelas autoridades.

Olhar técnico que protege o paciente

O caso evidencia, na prática, a importância da atuação do farmacêutico para a segurança do paciente e de toda a cadeia do medicamento.

Foi a atenção da profissional às características das embalagens que acendeu o alerta para uma possível irregularidade. Identificar alterações, verificar a procedência e a integridade dos medicamentos e agir diante de uma suspeita são atribuições que podem fazer a diferença na proteção da saúde da população.

Em fevereiro de 2026, a Anvisa já havia determinado a apreensão e proibido a comercialização, distribuição e uso do lote 416466 do medicamento Enhertu (trastuzumabe deruxtecana), após a identificação de unidades com características diferentes das apresentadas pelo produto original.

A Operação Placebo reforça a relevância do olhar técnico e criterioso do farmacêutico. Neste caso, a atenção de uma profissional foi o ponto de partida para que suspeitas envolvendo medicamentos destinados a pacientes com câncer chegassem às autoridades e fossem investigadas.

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