Tratamentos experimentais buscam favorecer a redução de gordura com maior preservação da massa magra, mas ainda dependem de novas pesquisas antes de chegar à prática clínica
O avanço dos medicamentos para o tratamento da obesidade tem levado pesquisadores a investigar outro desafio relacionado ao emagrecimento: como reduzir gordura corporal preservando a massa muscular.
Popularmente chamados de “canetas para músculos”, os tratamentos pesquisados ainda são experimentais. Atualmente, não existe medicamento injetável aprovado especificamente para aumentar a musculatura ou prevenir a sarcopenia.
Entre as substâncias em estágio mais avançado está o bimagrumabe, anticorpo que atua sobre mecanismos relacionados à limitação do crescimento muscular.
Um estudo de fase 2 publicado na revista Nature Medicine acompanhou 507 adultos com obesidade durante 48 semanas. Os participantes que receberam bimagrumabe combinado à semaglutida perderam, em média, 17,8 quilos, contra 14,2 quilos entre aqueles que utilizaram somente semaglutida.
A composição dessa perda também chamou a atenção: no tratamento combinado, 92,8% do peso eliminado correspondeu à gordura corporal, enquanto entre os participantes tratados apenas com semaglutida esse percentual foi de 71,8%. Os resultados sugerem maior preservação da massa magra, mas ainda precisam ser confirmados por pesquisas mais amplas.
Emagrecimento vai além da balança
Para o médico nutrólogo e intensivista Dr. José Israel Sanchez Robles, a popularização das canetas emagrecedoras reforça a importância de avaliar os resultados do tratamento para além do peso.
“As canetas transformaram significativamente o tratamento da obesidade ao possibilitar resultados que eram mais difíceis de alcançar com as opções anteriormente disponíveis. No entanto, o sucesso terapêutico não pode ser medido apenas pelo número de quilos perdidos. É fundamental avaliar a redução da adiposidade, especialmente a visceral, a preservação da massa muscular, a melhora da saúde cardiometabólica, da capacidade funcional e da qualidade de vida”, afirma.
Outras substâncias também estão sendo investigadas. O trevogrumabe, por exemplo, atua no bloqueio da miostatina, proteína que limita o desenvolvimento muscular. Resultados de um ensaio de fase 2 indicaram que sua combinação com semaglutida teria evitado aproximadamente metade da perda de massa magra relacionada ao emagrecimento.
Outro medicamento em desenvolvimento é o apitegromabe, também relacionado à inibição da miostatina. Apesar de estar sob análise da agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA, a avaliação é voltada ao tratamento da atrofia muscular espinhal, e não à obesidade, sarcopenia ou finalidade estética.
Pesquisadores estudam ainda o L-BAIBA, molécula produzida naturalmente pelo organismo durante a prática de exercícios. Estudos com animais e células humanas em laboratório apontaram possíveis efeitos relacionados à função muscular, mas ainda são necessárias pesquisas para determinar sua segurança e eficácia em aplicações clínicas.
Preservar músculos também é preservar saúde
Emagrecimentos expressivos ou muito rápidos exigem atenção à composição corporal, à força muscular e às condições nutricionais. Isso porque perder peso não significa necessariamente obter melhores resultados de saúde se houver comprometimento importante da massa magra.
“Uma perda de peso expressiva pode representar um excelente resultado, mas o número indicado pela balança, isoladamente, não é sinônimo de saúde. É fundamental avaliar a composição corporal e assegurar a preservação da massa muscular, da força e de um estado nutricional adequado”, explica Dr. José Israel.
Os tratamentos em estudo podem, no futuro, representar novas alternativas para idosos, pacientes imobilizados e pessoas com condições que favorecem a perda muscular. Por enquanto, porém, permanecem como possibilidades experimentais.
Atividade física, alimentação equilibrada e acompanhamento de profissionais de saúde continuam sendo fundamentais para preservar a musculatura e promover um emagrecimento saudável.

