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Insuficiência cardíaca: nova diretriz recomenda combinação de quatro classes de medicamentos e exercícios físicos

Sociedade Brasileira de Cardiologia reforça o uso precoce de medicamentos, a prática de atividades físicas supervisionadas e o acompanhamento multiprofissional para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) atualizou as recomendações para o diagnóstico e tratamento da insuficiência cardíaca, condição que afeta cerca de 2 milhões de brasileiros e está entre as principais causas de internação e mortalidade na população idosa.

A nova diretriz destaca a importância do diagnóstico precoce, da combinação adequada de medicamentos e da prática de atividades físicas supervisionadas. O documento também reforça a necessidade de acompanhamento multiprofissional para reduzir complicações e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

A insuficiência cardíaca ocorre quando o coração não consegue bombear sangue de maneira suficiente para atender às necessidades do organismo ou depende de pressões elevadas para isso. Entre os sintomas mais comuns estão falta de ar, cansaço, inchaço nas pernas e dificuldade para realizar atividades cotidianas.

O que muda no tratamento?

Uma das principais orientações da diretriz é a utilização precoce de quatro classes de medicamentos para pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, condição em que a capacidade de contração do coração está comprometida.

O tratamento envolve:

  • Medicamentos que atuam no sistema renina-angiotensina-aldosterona: como inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), bloqueadores dos receptores de angiotensina (BRA) ou a combinação sacubitril/valsartana.

  • Betabloqueadores: utilizados para reduzir a sobrecarga do coração e melhorar os resultados do tratamento.

  • Antagonistas dos receptores de mineralocorticoides: como a espironolactona, que contribui para reduzir complicações.

  • Inibidores do SGLT2: como dapagliflozina e empagliflozina, que ajudam a diminuir o risco de hospitalizações e complicações cardiovasculares.

A recomendação é que o tratamento seja iniciado e ajustado precocemente, conforme a avaliação clínica e as condições de cada paciente.

A atualização também contempla novas possibilidades terapêuticas para pessoas com insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, incluindo tratamentos direcionados a condições associadas, como a obesidade.

Exercício físico também faz parte do tratamento

Além dos medicamentos, a diretriz reforça a importância da atividade física orientada como parte do cuidado com a insuficiência cardíaca.

Exercícios adaptados à condição clínica do paciente podem melhorar a capacidade funcional, reduzir limitações nas atividades diárias e contribuir para a qualidade de vida.

A prática deve ser planejada com acompanhamento profissional, considerando a gravidade da doença, as condições de saúde e as necessidades individuais.

Farmacêutico contribui para a segurança e a continuidade do tratamento

Pacientes com insuficiência cardíaca frequentemente utilizam diferentes medicamentos para controlar a doença e outras condições associadas, como hipertensão, diabetes e problemas renais.

Nesse contexto, o farmacêutico desempenha um papel importante na prevenção de problemas relacionados ao uso de medicamentos e na adesão ao tratamento.

Entre suas atribuições estão a identificação de possíveis interações medicamentosas, a conciliação medicamentosa, a orientação sobre horários de administração e o acompanhamento de reações adversas.

O profissional também pode contribuir para o monitoramento de parâmetros clínicos e laboratoriais, como pressão arterial, função renal e níveis de potássio, auxiliando a equipe de saúde na avaliação da segurança do tratamento e na necessidade de ajustes terapêuticos.

Outro ponto importante é orientar os pacientes sobre os riscos de interromper ou modificar o uso dos medicamentos por conta própria, mesmo quando há melhora dos sintomas.

Atualização profissional fortalece o cuidado ao paciente

As novas recomendações da Sociedade Brasileira de Cardiologia reforçam a importância da atuação integrada entre médicos, farmacêuticos, enfermeiros, nutricionistas e profissionais de educação física.

Para o Conselho Regional de Farmácia do Estado de Goiás (CRF-GO), a atualização contínua dos farmacêuticos em áreas como Farmácia Clínica e Cuidado Farmacêutico contribui para uma assistência mais segura e qualificada.

O acompanhamento farmacêutico, associado ao tratamento adequado e às mudanças no estilo de vida, pode contribuir para prevenir complicações, reduzir hospitalizações e melhorar a qualidade de vida das pessoas com insuficiência cardíaca.

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